Não verás país nenhum
22/09/2020
Imagem: Paulinho Fluxuz

Por MIGUEL ENRIQUE STÉDILE*
O capitalismo do século XXI, dirigido pela efemeridade e pela busca fugaz de lucros instantâneos, prescinde de qualquer compensação humana. A condição ultraliberal desta década exige Estados reduzidos a pó para que não possam bloquear a pulsão destrutiva do Capital financeiro, especulativo e parasitário.


Ambos analisaram com profundidade a realidade brasileira, cada quem na sua área. Furtado foi nosso maior pesquisador da formação econômica do Brasil. Florestan analisou como ninguém as classes sociais, a desigualdade, as mazelas do racismo de uma sociedade com origens escravocratas.


Quando aqueles que querem acelerar o trilho da barbárie diante da pandemia afirmam que “preservar as economias implica aceitar perdas de vida”, eles não deixam de expressar de forma distorcida uma “verdade”: sim, a lógica econômica de nossas sociedades é cada vez mais a aceleração de um processo crescentemente hostil à vida.


O Brasil encaminha-se para se tornar um problema de saúde global, vira as costas ao mundo e segue na contramão.


Resenha do livro “ Uma história da onda progressista sul-americana”, de Fabio Luis Barbosa dos Santos. O livro apresenta uma análise bem-informada sobre os alcances e limites da onda progressista, explicando as particularidades de cada situação nacional e identificando seu movimento histórico comum.