A Pesquisa dos Neopentecostais na Política tem o objetivo de entender quais são as principais motivações (objetivas e subjetivas) que levam as pessoas a seguirem as igrejas neopentecostais, os métodos utilizados por essas lideranças para atrair e manter o crescimento constante do número de fiéis e quais lições a esquerda deveria aprender com esse fenômeno. Pesquisadores responsáveis: Angélica Tostes, Delana Corazza e Marco Fernandes.


O fantasma pentecostal recorre o mundo. Na maioria são igrejas conservadoras que irrompem no cenário político alimentando as novas direitas. Impulsionam a “Teologia da prosperidade”, a guerra espiritual, apontam contra o feminismo. Mas no coração do bairro portenho do Parque Patricios, em Buenos Aires (Argentina), expande-se uma mega-igreja evangélica fundada pelo Pastor Guillermo Prein que rompe com esse modelo. Será apenas uma exceção à regra ou a ponta de lança de uma contracultura religiosa?


Para o pastor Valdinei Ferreira, da Catedral Evangélica de São Paulo, a união de Bolsonaro com os evangélicos é a mais estável desde sua eleição. Algumas análises apontam que o poder religioso foi superestimado nas eleições, mas o debate é mais complexo. A falácia da “ideologia de gênero” segue firme entre os setores fundamentalistas evangélicos e integralistas católicos. Ao que parece, a intolerância religiosa não está de quarentena, já que todo mês há denúncias de terreiros que foram queimados ou hostilizados. Definitivamente, a palavra “cristofobia” entrou no vocabulário popular evangélico após a fala proferida por Bolsonano na ONU.


Em 2020, tivemos um aumento de 34% no total de candidaturas dos representantes deste segmento religioso nas eleições municipais, em comparação com 2016. Esse aumento representa uma difusão ideológica por todo o país e reflete a arena política dos últimos períodos. Cada vez mais evangélicos passam a ser eleitos e cada vez mais o discurso religioso ganha volume na política nacional.


Mais do que nunca, as candidaturas evangélicas se tornam destaque nas eleições municipais, e a Cristofobia vira o novo “kit gay”. Estudo aponta ligação entre igrejas de perfil pentecostal com milícias no Rio de Janeiro. Bolsonaro quer que escolas ligadas à igrejas recebam verba do Fundeb. Bancada Evangélica Popular ganha força e visibilidade e, consequentemente, começa a ser atacada.