Nas últimas semanas, grupos de pessoas revoltadas em alguns dos municípios mais pobres da África do Sul atacaram pequenas lojas em seus próprios bairros. A maior parte dessas lojas pertencem a imigrantes, ou os empregam. Essa tendência xenófoba remonta à crise de 2008. Os custos das dificuldades econômicas são assumidos por uma parcela dos vulneráveis que fica cada vez mais pobre e, em seguida, direciona sua raiva a outra parte dos vulneráveis, nesse caso, os trabalhadores imigrantes. Enquanto essas lojas são incendiadas, o roubo silencioso do capitalismo continua sem ser contestado. Nesse contexto, é importante lembrar organizações como o Sindicato dos Trabalhadores Industriais e Comerciais que construíram solidariedade por toda a África Austral e produziram uma dinâmica histórica e tradições de dignidade que perduram até hoje. São essas organizações que lutaram arduamente para criar uma consciência socialista contra a armadilha barata do nacionalismo étnico. Não haveria vitória do povo sul-africano contra o apartheid se não fosse por sua difícil luta.

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Nas Ruínas do Presente é apresentado os desafios que são postos pela globalização e o que estes desafios produzem em nossa sociedade. A primeira tentativa de resolver os problemas da globalização foi o neoliberalismo. Falhou. Em seguida veio o populismo cruel, que se expressa em termos estreitos e odiosos. Ele também falhará. A esquerda está fraca – diluída pela globalização. A necessidade do momento é a recomposição da esquerda, para que se torne uma força vital para uma humanidade frágil.

Globalização e sua alternativa expõe a avaliação de Samir Amin do conceito de globalização, bem como seu conceito de “desvinculação”; isto é, para o Terceiro Mundo forçar o imperialismo a aceitar suas condições e a ser capaz de conduzir sua própria política. A perspectiva de Amin nos ajuda a entender a atual crise do capitalismo e a imaginar um mundo baseado em uma agenda do povo, multipolar e internacionalista, ao invés de um mundo impulsionado pelo capital global.

Matérias primas minerais são necessárias em nossas vidas, mas quando essa vida se vê ameaçada por essas necessidades estruturais, é hora de começar a fazer perguntas. Por que 60% das empresas de mineração possuem suas sedes no Canadá? Nesse apontamento, damos detalhes financeiros de dez empresas mineradoras canadenses. Dados que se transformam em crimes corporativos quando lidos juntos com as mais horrendas violações cometidas – globalmente – por essas corporações. A acumulação de riquezas baseia-se em uma perversa indiferença à vida humana.

O Sindicato de Trabalhadores Industriais e Comerciais (STIC) – não só uma agremiação, mas um movimento de camponeses e posseiros urbanos – foi formado nas docas da Cidade do Cabo em 1919. Em uma década, o STIC se expandiu pela África austral sem obedecer as fronteiras nacionais e contava com pessoas de diferentes países africanos e do Caribe em sua liderança, bem como indianos. A grande e esquecida história do STIC deve ser recuperada em um momento de escalada do chauvinismo e da xenofobia. Nosso dossiê nº 20 traz uma introdução à história desse extraordinário movimento popular.

As crises eclodem no mundo em grande velocidade. É difícil se manter atualizado em relação aos acontecimentos, e mais difícil ainda desenvolver uma perspectiva histórica e crítica a respeito deles. Nossa série Alerta Vermelho oferece uma breve análise em duas páginas sobre crises importantes da atualidade. O primeiro é sobre a Caxemira.

A frustração com a resiliência do Irã e seus laços com a China e a Rússia pressionaram os aliados regionais dos EUA – e os próprios EUA – a renovar ameaças contra o Irã. A guerra híbrida contra o país persa inclui sanções econômicas, sabotagem e assassinatos, além de uma guerra de informação. Para romper a barreira informacional, o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social entrevistou o professor Mohammed Marandi, da Universidade de Teerã. Esta conversa concentra-se na política unilateral de sanções dos EUA, na resiliência do Irã e nas relações iranianas com a China e a Rússia.

Diante das crescentes políticas neoliberais, o movimento da classe trabalhadora na Índia realizou grandes greves gerais. Nosso 18º dossiê  traz uma entrevista com K Hemalata, presidenta da Central de Sindicatos Indianos – discute a estrutura da força de trabalho indiana, os desafios diante do movimento sindical e a militância operária.

As guerras híbridas ocorrem na América Latina e os modos de dominação e de intervenção imperial se transformam. O novo dossiê do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social traz uma reflexão sobre as distintas dimensões da guerra híbrida que recai sobre a Venezuela e as razões que a instigam; também aborda outras experiências latino-americanas recentes onde se aplicam ou se aplicaram táticas similares, com o objetivo de contribuir para o debate sobre os modos de dominação que acompanham a ofensiva neoliberal e imperial atualmente na América Latina.

A moderna economia global, essencialmente, garante a contínua espoliação de lucros e ativos naturais de países ricos em recursos, mas pobres em capital, facilitando o enriquecimento da elite econômica global e das Corporações Transnacionais, às custas dos países em desenvolvimento. Para elaborar os temas de pilhagem corporativa, nacionalismo de recursos e formas de gestão de recursos centradas nas pessoas, o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social conversou com Gyekye Tanoh, chefe da Unidade de Economia Política na Rede do Terceiro Mundo-África com sede em Acra (Gana).