Sei que nada será como antes

amanhã…
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está, amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Milton Nascimento

 

O Instituto Tricontinental de Pesquisa Social está lançando um concurso de ensaios para que possamos refletir coletivamente sobre o atual cenário político, econômico e social que estamos vivenciando diante da pandemia causada pelo coronavírus.

Desde o início, o alto e constante ritmo de contágio do COVID-19 coloca enormes desafios aos povos de todo o mundo, com relação aos sistemas de saúde públicos, orientações de quarentena, crise econômica e solidariedade. Uma sociedade que vinha sufocada e exaurida pela exploração, agora disputa respiradores artificiais que são insuficientes para os casos graves de falta de ar.

Nesse sentido, o Tricontinental faz o convite para que fechemos os olhos por alguns minutos, imaginemos o mundo que está nascendo e registrem suas reflexões no papel. Queremos receber ensaios, poemas, artigos sobre o que você está refletindo acerca das transformações velozes que estão acontecendo.

Sabemos que em períodos como esse, a sociabilidade, a cultura, a relação entre as pessoas se alteram pela vivência de meses em quarentena e gestão social pelo medo. Por um lado, desenvolvem-se novas formas de solidariedade, cuidados, maneiras de se relacionar, divisão de tarefas e organização social. Por outro, vivencia-se o pânico, a violência, a experiência da escassez de mercadorias e serviços, o desemprego, o aumento da miséria, o convívio com a iminência do adoecimento e da possibilidade da morte.

Sob este cenário, Estados vêm abandonando políticas de austeridade, suscitando a indagação se haverá espaço para uma política econômica que conte com expansão fiscal e o limite das politicas neoliberais, ou se virá uma onda ainda mais severa de austeridade econômica. A política, o meio ambiente, a maneira de produzir e consumir, tudo parece estar em acelerada transformação.

Se nada será como antes, caberá a nós não deixar de imaginar e lutar por um mundo sem exploração, em que estaremos prontos para enfrentar pandemias e fazer com que a crítica ao neoliberalismo venha acompanhada de uma crítica radical ao capitalismo.

Condições

Receberemos ensaios entre os meses de maio e junho, que serão apreciados pelo Escritório Brasil do Tricontinental e publicados na nossa página na internet. Além disso, selecionaremos cinco textos que irão receber um kit especial de livros da Editora Expressão Popular, além de publicações produzidas pelo próprio Tricontinental.

Os artigos devem ter no máximo 20 páginas, letra 12, espaço, 1,5. Devem ser enviados em formato PDF e com nome completo, CPF e endereço para entrega do prêmio para o e-mail: [email protected] Para mais informações, confirma o regulamento completo em PDF no final da página.

Data para envio dos textos: até 30 de junho.

Prêmios

Para o 1º colocado, o prêmio são 10 (dez) publicações, sendo 6 (seis) livros da Expressão Popular e 4 (quatro) publicações do Tricontinental:

1. Sem-terra em cartaz. Autor: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
2. Brava gente. Autor: Bernardo Mançano Fernandes (org)
3. Mulheres, raça e classe. Autora: Angela Davis
4. Maria da Conceição Tavares – vida, ideias, teorias e políticas. Autor: Hildete Pereira de Melo (org.)
5. O que é uma revolução? Autor: Alvaro García Linera
6. Paulo Freire – Vida e obra. Autores: Paulo Freire; Ana Inês Souza (org.)
7. Dossiê Tricontinental 13 – O novo Intelectual
8. Dossiê Tricontinental 15 – A Arte da revolução será internacionalista
9. Dossiê Tricontinental 22 – Nuestra América latina e caribenha. Entre a ofensiva neoliberal conservadora e as novas resistências
10. Estudos Feministas #1 – Mulheres de luta, Mulheres em Luta – Tricontinental

Para os demais quatro colocados, o prêmio são 9 (nove) publicações, sendo 5 (cinco) livros da Editora Expressão Popular e 4 (quatro) publicações do Tricontinental:

1. Brava gente. Autor: Bernardo Mançano Fernandes (org)
2. Gênero, patriarcado, violência. Autora: Heleieth Saffioti
3. Maria da Conceição Tavares – vida, ideias, teorias e políticas. Autor: Hildete Pereira de Melo (org.)
4. O que é uma revolução? Autor: Alvaro García Linera
5. Paulo Freire – Vida e obra. Autores: Paulo Freire; Ana Inês Souza (org.)
6. Dossiê Tricontinental 13 – O novo Intelectual
7. Dossiê Tricontinental 15 – A Arte da revolução será internacionalista
8. Dossiê Tricontinental 22 – Nuestra América latina e caribenha. Entre a ofensiva neoliberal conservadora e as novas resistências
9. Estudos Feministas #1 – Mulheres de luta, Mulheres em Luta – Tricontinental

 

Quem Somos

Há cerca de dois anos surgia o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. Fundado no final do ano de 2017, o Instituto Tricontinental tem como objetivo estimular o debate intelectual e desenvolver pesquisas e investigações que fortaleçam o entendimento da realidade e promova o pensamento crítico, colocando-o a serviço das aspirações do povo.

Somos uma instituição internacional orientada por organizações populares e políticas da Ásia, África e América Latina, e partimos do pressuposto que um dos principais focos de disputa na sociedade se dá em torno da Batalha de Ideias. Nesse sentido, temos como finalidade nos tornar referência na produção de conhecimento crítico dos movimentos populares e disputar a narrativa dos eventos mundiais. Por isso, um dos nossos desafios é descobrir, sistematizar e divulgar a visão de mundo da classe trabalhadora, realizando análises sobre diferentes temas da realidade e contraponto a ideologia hegemônica da classe dominante.

Além disso, temos o Internacionalismo como princípio e o propósito de construir pontes de diálogo tanto entre os continentes do Sul Global quanto entre instituições acadêmicas e organizações populares. Avaliamos que nas últimas décadas foi criado um abismo entre o modus operandi das pesquisas acadêmicas em relação às reais necessidades dos movimentos. Nesse sentido, temos a pretensão de propiciar esse diálogo entre o conhecimento acadêmico e o pensamento criativo das organizações políticas.

Por último e não menos importante, ao investirmos na construção de conhecimento da atual realidade, procuramos criar condições para que os intelectuais orgânicos e os movimentos populares possam ser protagonistas da construção de uma rota de saída da crise e formulem alternativas para o futuro.