Notícias das lutas e conflitos na África, Ásia e América Latina nem sempre são fáceis de encontrar. Uma greve geral na Índia não é relatada na imprensa corporativa, nem o assassinato de um ativista de direitos humanos na América Central, nem as notícias de grande interesse humanitário das organizações multilaterais (como as agências das Nações Unidas). À medida que a mídia mundial fica cada vez mais homogeneizada pelos interesses da ideologia corporativa, mais e mais notícias sobre os povos do mundo desaparecem. Há tão pouca informação básica, por exemplo, sobre a fome no mundo e sobre as lutas para alimentar os famintos. Não estamos interessados ​​apenas nos conflitos e no sofrimento. Estamos igualmente interessados ​​nas lutas dos povos para enfrentar esses desafios amplos.

Nós, no Tricontinental, enviaremos uma carta semanal, uma nota curada com informações de uma parte do mundo, que oferecerá uma janela para algumas das lutas e conflitos do nosso tempo. A carta estará disponível por assinatura – e é gratuita.

Para saber mais sobre o carta semanal, ou para nos enviar histórias que você acha que devemos abordar, por favor escreva para [email protected]. Nós não prometemos usar todas e cada uma das suas sugestões, mas nós as recebemos bem. Se você tiver objeções a qualquer coisa que tenhamos, entre em contato conosco. Pode haver momentos em que poderemos publicar sua crítica como parte de nosso mandato para estimular o debate.

 


A crise atual não só está moldada pelo perigo do coronavírus, mas também por um sistema econômico que favorece o setor financeiro e a plutocracia e que nos conduziu ao colapso das instituições estatais na maioria do mundo capitalista, no qual o sistema de saúde, erosionado pela austeridade, é incapaz de lidar com a crise. A esperança provém de lugares como Kerala (Índia), China e Cuba, onde instituições estatais têm conseguido enfrentar a pandemia.


Mesmo após as medidas de austeridade que atingiu em cheio os sistemas públicos de saúde, os trabalhadores da área vêm trabalhando à exaustão para conter a atual pandemia. Nesse mundo mutilado, aqueles que nos mantém unidos por meio do vínculo de amor e amizade são nossos heróis, pessoas maravilhosas que estão dispostas a se colocar em risco para proteger outras pessoas. Cuidadores – seja na família ou em instituições – nunca recebem reconhecimento suficiente pelo enorme fardo que carregam em seus ombros enquanto políticos enfraquecem o Estado e a sociedade. Imaginemos um mundo de enfermeiras em vez de um mundo de banqueiros.


Nos tempos em que vivemos floresce a esperança radical, e ideias emancipatórias, forjadas no vórtice da luta, ganham certo brilho. Em nosso mundo, a civilidade não é apenas uma questão de atitude, mas também um tema de recursos. A “esperança” tampouco é um sentimento individual, tem que ser produzida construindo comunidades e lutando por seus valores.


Em 8 de março de 1917, cerca de cem mulheres das fábricas têxteis de Petrogrado decidiram entrar em greve; elas foram a outras fábricas e chamaram suas colegas de trabalho para as ruas. Em pouco tempo, cerca de 200 mil trabalhadoras – lideradas pelas mulheres – marcharam pelas ruas. “Abaixo a guerra”, elas exigiam. Essa greve desencadeou uma cascata de protestos que finalmente quebraram o Estado czarista e inauguraram a Revolução Russa.


Após 172 anos, o programa contido no Manifesto Comunista segue vivo e bem. Apesar da queda da URSS e das calúnias acumuladas contra o marxismo e o comunismo, a atração pelo horizonte socialista e comunista permaneça. Há uma decepção em larga escala com as condições atuais.