Notícias das lutas e conflitos na África, Ásia e América Latina nem sempre são fáceis de encontrar. Uma greve geral na Índia não é relatada na imprensa corporativa, nem o assassinato de um ativista de direitos humanos na América Central, nem as notícias de grande interesse humanitário das organizações multilaterais (como as agências das Nações Unidas). À medida que a mídia mundial fica cada vez mais homogeneizada pelos interesses da ideologia corporativa, mais e mais notícias sobre os povos do mundo desaparecem. Há tão pouca informação básica, por exemplo, sobre a fome no mundo e sobre as lutas para alimentar os famintos. Não estamos interessados ​​apenas nos conflitos e no sofrimento. Estamos igualmente interessados ​​nas lutas dos povos para enfrentar esses desafios amplos.

Nós, no Tricontinental, enviaremos uma carta semanal, uma nota curada com informações de uma parte do mundo, que oferecerá uma janela para algumas das lutas e conflitos do nosso tempo. A carta estará disponível por assinatura – e é gratuita.

Para saber mais sobre o carta semanal, ou para nos enviar histórias que você acha que devemos abordar, por favor escreva para contact@thetricontinental.org. Nós não prometemos usar todas e cada uma das suas sugestões, mas nós as recebemos bem. Se você tiver objeções a qualquer coisa que tenhamos, entre em contato conosco. Pode haver momentos em que poderemos publicar sua crítica como parte de nosso mandato para estimular o debate.

 


Dez meses após o início da recessão causada pela epidemia, estima-se que a dívida externa total dos países em desenvolvimento aumentou para pelo menos 11 trilhões de dólares. Os termos da conversa sobre dívida são inteiramente ditados pelos países ricos, que entendem que apenas os credores – e no máximo o FMI – deveriam estar no comando.


Estimativas mostram que metade da população humana tem acesso insuficiente aos alimentos, enquanto quase um terço dos alimentos produzidos globalmente para consumo humano é perdido ou desperdiçado. Isso é consequência de um sistema baseado no lucro que prefere jogar comida fora a doá-la aos famintos por meio de sistemas de distribuição pública. Esse é o caráter da guerra de classes.


Em 1965, o primeiro-ministro de Gana, Kwame Nkrumah, escreveu que o neocolonialismo “significa poder sem responsabilidade e, para aqueles que sofrem, significa exploração sem reparação”. Esse conceito continua sendo útil para descrever nosso mundo hoje em dia, conforme a riqueza das nações pobres é escoada para empresas multinacionais.


O maior tirano do nosso tempo é um sistema social que empobrece a maioria da população mundial para que uma pequena minoria possa viver uma vida de luxo. Um novo estudo da Organização Internacional do Trabalho mostra que os trabalhadores de todo o planeta perderam 10,7% de sua renda nos primeiros nove meses de 2020; isso equivale a uma perda de 3,5 trilhões de dólares.


Em abril, a ONU alertou que o número de pessoas com fome aguda em todo o mundo dobraria devido à Covid-19 até o final de 2020. Pouco se falou sobre o fato de que não se trata de uma crise de produção de alimentos – já que temos alimentos suficientes no mundo para alimentar toda humanidade -, mas uma crise decorrente da desigualdade social. A concentração de poder em um punhado de conglomerados do agronegócio favorece o lucro em vez da preocupação com a humanidade.