Notícias das lutas e conflitos na África, Ásia e América Latina nem sempre são fáceis de encontrar. Uma greve geral na Índia não é relatada na imprensa corporativa, nem o assassinato de um ativista de direitos humanos na América Central, nem as notícias de grande interesse humanitário das organizações multilaterais (como as agências das Nações Unidas). À medida que a mídia mundial fica cada vez mais homogeneizada pelos interesses da ideologia corporativa, mais e mais notícias sobre os povos do mundo desaparecem. Há tão pouca informação básica, por exemplo, sobre a fome no mundo e sobre as lutas para alimentar os famintos. Não estamos interessados ​​apenas nos conflitos e no sofrimento. Estamos igualmente interessados ​​nas lutas dos povos para enfrentar esses desafios amplos.

Nós, no Tricontinental, enviaremos uma carta semanal, uma nota curada com informações de uma parte do mundo, que oferecerá uma janela para algumas das lutas e conflitos do nosso tempo. A carta estará disponível por assinatura – e é gratuita.

Para saber mais sobre o carta semanal, ou para nos enviar histórias que você acha que devemos abordar, por favor escreva para [email protected]. Nós não prometemos usar todas e cada uma das suas sugestões, mas nós as recebemos bem. Se você tiver objeções a qualquer coisa que tenhamos, entre em contato conosco. Pode haver momentos em que poderemos publicar sua crítica como parte de nosso mandato para estimular o debate.

 


Henar Diez Villahoz (Spain), Quien sostiene la vida (Those who sustain life), 2020

Sistemas públicos de saúde vêm sendo enfraquecidos por cortes orçamentários decorrente de políticas de austeridade, quase sempre aplicados por ricos detentores de títulos e pelo FMI, que exigem o pagamento do serviço da dívida e não se importam se esse dinheiro sai do sistema público de saúde, da educação pública ou de políticas públicas de bem-estar.


Cada dólar destinado a pagar o serviço da dívida é um dólar que não pode comprar um respirador ou dar apoio emergencial alimentício. Durante a crise do CoronaChoque, isso é moralmente indefensável e economicamente irracional. A suspensão ou adiamento da dívida é insuficiente. Apenas adia o acerto de contas. Está na hora de cancelar essas dívidas odiosas, que não podem – em nenhum caso – serem pagas durante a recessão do coronavírus.


Muito pouco foi dito sobre o fato de países como Laos e Vietnã terem conseguido gerenciar o coronavírus. Ambos os Estados fazem fronteira com a China. Já Brasil e EUA, por exemplo, têm a Ásia e dois oceanos que os separam do China.


Luis Peñalever Collazo (Cuba), America Latina, Unete! 1960

Apesar da crise revelada pela pandemia, as forças políticas continuam apegadas à religião do neoliberalismo, optando por proteger a economia antes de proteger o povo. Mas é impossível imaginar que essa realidade não seja revertida pela capacidade dos seres humanos de encontrar maneiras de se reunir e transformar nossa realidade. Nossos movimentos populares já estão pressionando por futuros alternativos.


Palestine

Durante a invasão israelense na Cisjordânia em 1967, o primeiro-ministro de Israel, Levy Eshkol, disse que o novo território era um “dote”, mas que esse “dote” veio com uma “noiva” – a saber, o povo palestino. O plano israelense sempre foi anexar toda Jerusalém e a Cisjordânia. Em 1º de julho de 2020, foi exatamente isso que o governo israelense iniciou: a anexação da Cisjordânia.