Notícias das lutas e conflitos na África, Ásia e América Latina nem sempre são fáceis de encontrar. Uma greve geral na Índia não é relatada na imprensa corporativa, nem o assassinato de um ativista de direitos humanos na América Central, nem as notícias de grande interesse humanitário das organizações multilaterais (como as agências das Nações Unidas). À medida que a mídia mundial fica cada vez mais homogeneizada pelos interesses da ideologia corporativa, mais e mais notícias sobre os povos do mundo desaparecem. Há tão pouca informação básica, por exemplo, sobre a fome no mundo e sobre as lutas para alimentar os famintos. Não estamos interessados ​​apenas nos conflitos e no sofrimento. Estamos igualmente interessados ​​nas lutas dos povos para enfrentar esses desafios amplos.

Nós, no Tricontinental, enviaremos uma carta semanal, uma nota curada com informações de uma parte do mundo, que oferecerá uma janela para algumas das lutas e conflitos do nosso tempo. A carta estará disponível por assinatura – e é gratuita.

Para saber mais sobre o carta semanal, ou para nos enviar histórias que você acha que devemos abordar, por favor escreva para [email protected]. Nós não prometemos usar todas e cada uma das suas sugestões, mas nós as recebemos bem. Se você tiver objeções a qualquer coisa que tenhamos, entre em contato conosco. Pode haver momentos em que poderemos publicar sua crítica como parte de nosso mandato para estimular o debate.

 


As tensões entre Washington e Teerã parecem ter passado da fervura ao banho maria, mas permanecem. Há razões para acreditar que o presidente dos EUA, Donald Trump – imprudente por natureza – lançará um ataque ao Irã nos próximos meses. Pode fazer isso para gerar distrações do processo de impeachment que enfrenta no Senado dos EUA ou para acelerar suas chances de se reeleger em novembro de 2020. O objetivo dos EUA  é tornar o Irã um país subordinado, enfraquecê-lo e torná-lo irrelevante na Ásia Ocidental. Como isso não ocorreu até agora, a tensão na região continua. Após o assassinato de Soleimani, os iranianos disseram que caso fossem atacados de novo, destruiriam Dubai (Emirados Árabes Unidos) e Haifa (Israel). Mísseis iranianos de curto alcance podem atingir Dubai; mas é o Hezbollah que atacaria Haifa. Isso significa que os Estados Unidos e seus aliados enfrentarão uma guerra de guerrilhas regional em larga escala se houver algum bombardeio contra o Irã. Essas milícias são um impedimento para o Irã. Por isso Trump hesitou; mas pode não hesitar por muito tempo.


China e EUA concordaram em suspender sua guerra comercial. As empresas americanas perderam pelo menos 46 bilhões de dólares como consequência da guerra comercial iniciada por Trump, em fevereiro de 2018. A pressão das empresas sobre a Casa Branca e a disputa eleitoral levaram os EUA para a mesa; A China também estava disposta a negociar, já que sua taxa de crescimento era a mais lenta desde 1990.


Por conta da crise, as empresas não estão investindo em sua expansão ou em novas tecnologias. Em vez disso, estão se apoiando cada vez mais na terceirização da produção, na precarização laboral e em um modelo permanente de trabalho com baixos salários. Ao fazerem isso, elas colocam uma imensa pressão em frágeis redes familiares e comunitárias, aprofundam os impulsos conservadores e diminuem a saúde e o bem-estar.


Os 500 maiores bilionários do mundo aumentaram sua riqueza em 1,2 trilhão de dólares em 2019; sua riqueza agora é de 5,9 trilhões de dólares, um aumento de 25%. O maior número – 172 – desses 500 bilionários vive nos EUA. Para se ter uma ideia, a família Walton, dona do Walmart, se apropria de 70 mil dólares por minuto, o que equivale a 100 milhões de dólares por dia.


Milhões de pessoas estão nas ruas, da Índia ao Chile. A democracia foi a promessa feita a ambos países, mas os traiu. A democracia é a promessa de que as pessoas serão capazes de controlar seu destino. Do ponto de vista do capitalismo, porém, a democracia plena e suas implicações não podem ser toleradas.