Conflitos, crises e lutas aparecem na mídia sem muito contexto. Isso por dois motivos. Primeiro, a compressão do espaço – a brevidade de um jornal ou da história de 300 palavras da mídia impressa – impede que qualquer contexto amplo seja oferecido a um público leitor que talvez não saiba como avaliar um conflito, uma crise ou uma luta. Em segundo lugar, a ideologia da classe dominante é aquela que prossegue com a premissa de que muita profundidade daria às pessoas muita compreensão de como o mundo funciona. É melhor ter uma “mídia livre” que apenas explore o superficial, se é que ela relata uma história. Noticiários rasos saturados com implicações ideológicas corrosivas é o que oferecem, particularmente quando ocorre uma crise. Os eventos aparecem como uma crise repentina sem histórico.

A partir do Tricontinental, a cada mês, vamos produzir um breve dossiê sobre um evento atual que acreditamos que requer alguma elaboração. Esses dossiês fornecerão uma breve história antiimperialista da crise, oferecerão entrevistas com os principais especialistas da região e sobre o assunto em questão e fornecerão histórias humanas das pessoas que estão no centro da crise.

Para sugerir crises que precisam ser elaboradas ou oferecer informações, bem como histórias para esses eventos, entre em contato conosco pelo [email protected].

 


O movimento de moradores de favelas – Abahlali baseMjondolo, ou AbM – esta entre as organizações mundiais de pobres e despossuídos que luta por reforma agrária e dignidade. Apesar das ondas de repressão por parte do Estado, o movimento possui hoje 50 mil militantes em assentamentos por todo país, desde a sua fundação, em 2006. Em entrevista ao Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, Zikode fala sobre a essência do AbM, suas lutas, identidade, conquistas e o que podemos aprender com sua experiência.


Por seis meses, a Argentina vem sofrendo com uma nova crise econômica e social de larga escala. Em uma conjuntura de desvalorização da moeda local, crescente inflação e uma profunda recessão, a administração de Macri fechou um acordo com o FMI, marcando uma importante mudança para o futuro do país. O acordo corta gastos públicos e priorizam o pagamento da dívida, entre outras medidas. Este dossiê examina as diferentes dimensões da crise, as disputas abertas e as possibilidades para o futuro imediato.