Conflitos, crises e lutas aparecem na mídia sem muito contexto. Isso por dois motivos. Primeiro, a compressão do espaço – a brevidade de um jornal ou da história de 300 palavras da mídia impressa – impede que qualquer contexto amplo seja oferecido a um público leitor que talvez não saiba como avaliar um conflito, uma crise ou uma luta. Em segundo lugar, a ideologia da classe dominante é aquela que prossegue com a premissa de que muita profundidade daria às pessoas muita compreensão de como o mundo funciona. É melhor ter uma “mídia livre” que apenas explore o superficial, se é que ela relata uma história. Noticiários rasos saturados com implicações ideológicas corrosivas é o que oferecem, particularmente quando ocorre uma crise. Os eventos aparecem como uma crise repentina sem histórico.

A partir do Tricontinental, a cada mês, vamos produzir um breve dossiê sobre um evento atual que acreditamos que requer alguma elaboração. Esses dossiês fornecerão uma breve história antiimperialista da crise, oferecerão entrevistas com os principais especialistas da região e sobre o assunto em questão e fornecerão histórias humanas das pessoas que estão no centro da crise.

Para sugerir crises que precisam ser elaboradas ou oferecer informações, bem como histórias para esses eventos, entre em contato conosco pelo [email protected].

 


O dossiê do mês de abril do Instituto Tricontinental apresenta o atual estágio da luta pela terra no Brasil, centrado na disputa pelo modelo agrícola entre o agronegócio e a agroecologia. Para isso, apresentamos o conceito da Reforma Agrária Popular, um conceito de reorganização fundiária que vai muito além da democratização do acesso à terra, mas traz os paradigmas de uma nova concepção de agricultura.


Este dossiê oferece uma brilhante introdução a vida e obra de Frantz Fanon, enfatizando a importância política contemporânea de seu humanismo radical, e assinalando que seu trabalho traz uma “irreprimível abertura ao universal” e um compromisso axiomático com o “reconhecimento da dimensão aberta de toda consciência”. Examina, em particular, a contribuição de Fanon como teórico da práxis comprometido em ir além da ordem ontológica e espacial da opressão e empreender uma forma de práxis insurgente e democrática na qual se desenvolve “uma corrente de edificação e enriquecimento recíproco” entre protagonistas de diferentes lugares sociais.


O movimento comunista indiano tem experimentado diversos formatos de policlínicas populares que oferecem atenção de saúde gratuita ou a baixo custo a qualquer pessoa. O epicentro dessa iniciativa está na região de idioma telugu, onde somente a Policlínica Popular de Nelore trata mil pacientes por dia a preços em média 40% menores que os cobrados pelos hospitais corporativos e formou mais de 500 médicos que dão atenção de saúde em toda a região. Nosso dossiê n. 25 do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social se dedica a contar a história dessas policlínicas.


Os dois termos que definem nossa época são “crise” e “protestos”; o primeiro é resultado de um sistema mundial que se esgotou, enquanto o segundo expressa um clamor pelo futuro. Nosso dossiê de janeiro se dedica a oferecer uma análise de conjuntura – em que pé está o mundo hoje? Iniciamos este ano com uma avaliação detalhada da austeridade, da ordem mundial bipolar, da exaustão do neoliberalismo e de um planeta de protesto.


National Indigenous March, May 2016

Para Colômbia e para os povos de Nuestra América, a paz assume uma complexidade que põe em tensão o conjunto do cenário político e é um eixo central da disputa entre o neoliberalismo e as aspirações populares. Neste novo dossiê do Instituto Tricontinental examinamos as causas estruturais do conflito social, político e armado colombiano e como o país se constituiu em um agente chave na disputa geopolítica regional a favor dos interesses dos EUA.