Conflitos, crises e lutas aparecem na mídia sem muito contexto. Isso por dois motivos. Primeiro, a compressão do espaço – a brevidade de um jornal ou da história de 300 palavras da mídia impressa – impede que qualquer contexto amplo seja oferecido a um público leitor que talvez não saiba como avaliar um conflito, uma crise ou uma luta. Em segundo lugar, a ideologia da classe dominante é aquela que prossegue com a premissa de que muita profundidade daria às pessoas muita compreensão de como o mundo funciona. É melhor ter uma “mídia livre” que apenas explore o superficial, se é que ela relata uma história. Noticiários rasos saturados com implicações ideológicas corrosivas é o que oferecem, particularmente quando ocorre uma crise. Os eventos aparecem como uma crise repentina sem histórico.

A partir do Tricontinental, a cada mês, vamos produzir um breve dossiê sobre um evento atual que acreditamos que requer alguma elaboração. Esses dossiês fornecerão uma breve história antiimperialista da crise, oferecerão entrevistas com os principais especialistas da região e sobre o assunto em questão e fornecerão histórias humanas das pessoas que estão no centro da crise.

Para sugerir crises que precisam ser elaboradas ou oferecer informações, bem como histórias para esses eventos, entre em contato conosco pelo [email protected].

 


Esse dossiê traz duas histórias sobre a crise agrária da Índia. A primeira é sobre o impacto severo das mudanças climáticas em uma já frágil economia rural em Andhra Pradesh, onde agricultores têm cultivado para empresas de sementes nas condições mais adversas. A segunda história nos leva a Kerala, onde encontramos a cooperativa de mulheres de Kudumbashree, que tem resistido à devastação da pior enchente no estado em quase um século. Essas histórias não apenas documentam o lado feio da história; também buscamos detectar as iniciativas que dão um sopro de vida ao futuro do planeta.


Na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente do Brasil Jair Bolsonaro abriu a sessão com o comentário bizarro de que a Amazônia – que está sofrendo queimadas há semanas – “praticamente não foi tocada” e que “a mídia mentirosa e sensacionalista está acendendo as chamas das notícias falsas. A Amazônia, 60% da qual está no Brasil não é – disse Bolsonaro – “patrimônio da humanidade”. É território brasileiro, disse, e se o Brasil quiser colocá-la abaixo, que assim seja. Protestos ocorreram em todo o mundo contra as queimadas na Amazônia, pois é sabido que a Amazônia é um dos principais sumidouros de carbono do planeta. Se a Amazônia for devastada em 25%, então, a floresta tropical terá chegado a um ponto de não retorno, no qual a vegetação perde sua capacidade de se regenerar e iria de uma floresta tropical a uma savana. Estamos na era da loucura de novo, a um passo da destruição da Amazônia, uma era que nos exige bravura e coragem.