O Observatório da Defesa e Soberania Popular tem o objetivo de aprofundar os conhecimentos sobre a defesa nacional brasileira, o papel das Forças Armadas na atualidade, construir um entendimento comum sobre essa área que agregue na construção de um Projeto Popular e desenvolver pesquisa sobre a formação das Forças Armadas. Pesquisadora responsável: Ana Penido.


Bolsonaro e o partido militar vivem uma relação de mutualismo. O presidente precisa do partido militar, já que ele é um agrupamento coeso e organizado. Por sua vez, o partido precisa de Bolsonaro por não ter uma base sólida que permitisse sua eleição. Apesar de Bolsonaro ser a criatura e não o criador do partido militar, este não tem controle para manter e alimentar o bolsonarismo.


É preciso problematizar a capacidade das metáforas militares para explicar o momento atual, iluminando aspectos que a retórica militarizada ‘camufla’.


É irreal pensar que o principal partido do governo, a ala militar, detentor dos principais cargos, vá sair do governo. Se seguirão com Bolsonaro é uma questão que diz menos às FFAA e sim às ferramentas democráticas de afastamento do presidente, baseadas no Legislativo, no Judiciário e na pressão popular.


As FFAA entram no ano de 2020 com um projeto mais elaborado quanto à sua participação no governo, atuando como um verdadeiro partido. Apesar de não terem ido para o governo enquanto instituição, os militares no governo se mostraram um grupo bastante coeso e representativo dos interesses das FFAA.