Em 6 de janeiro, o mundo testemunhou uma tentativa de tomada do Capitólio dos EUA. Desde a guerra contra o Iraque (2003) e a crise de crédito (2010), o declínio do poder dos EUA foi antecipado. Ao mesmo tempo, a China se desenvolveu científica e tecnologicamente. Em vez de buscar uma solução para a crise econômica e social – que não pode resolver – a classe dominante dos EUA acredita que seus problemas são de legitimidade política: o principal problema nos EUA é colocado por Trump e seu exército maltrapilho.


Segundo o Banco Mundial, a pandemia causou queda na renda per capita em mais de 90% dos países emergentes e deslocou milhões de pessoas de volta a pobreza. Vijay e John Ross debatem a importância política do acordo firmado entre China e UE em dezembro de 2020. O fechamento das plantas da Ford no Brasil pode levar a mais de 52 mil postos de trabalho fechados entre diretos e indiretos só nesse ano. A inflação medida pelo INPC fechou o acumulado do ano em 5,45%, só os alimentos tiveram uma variação de 15,53%.


A primeira carta semanal deste ano é escrita em colaboração com nosso amigo, o grande linguista e voz profética, Noam Chomsky. Embora a pandemia seja a principal questão em nossas mentes, outros grandes problemas também ameaçam a longevidade de nossas espécies e de nosso planeta. Um forte internacionalismo é necessário para dar a atenção adequada e imediata aos perigos de extinção: extinção por guerra nuclear, pela catástrofe climática e pelo colapso social. As tarefas adiante são assustadoras e não podem ser adiadas.


No final da Segunda Guerra Mundial, com as potências europeias gravemente enfraquecidas, os Estados Unidos – a mais poderosa das colônias europeias de povoamento – assumiram a gestão neocolonial do planeta. Agora, quase oitenta anos depois, a primazia dos Estados Unidos entra em seu crepúsculo. Este dossiê explora o surgimento de uma nova guerra fria imposta pelos Estados Unidos à China e as formas de guerra híbrida utilizadas contra países considerados uma ameaça.


No Instituto Tricontinental consideramos a Carta das Nações Unidas a base do nosso trabalho. Avançar em seus objetivos é uma etapa essencial para a construção da humanidade, um conceito de aspiração e não um conceito de fato; ainda não somos seres humanos, mas nos esforçamos para nos tornar humanos e contamos com nossos movimentos populares para tudo o que fazemos.